segunda-feira, 8 de agosto de 2011

SÉRIE CONTRACULTURA



Contracultura é, segundo o Dicionário Michaeles, uma “forma de cultura que visa atacar os valores culturais vigentes.” É uma reação – é quando uma nova geração se levanta em protesto do mundo que herdou. E cultura é, grosso modo, um modo de ser gente.

O Rev. John Stott foi feliz quando, identificando a proposta do Sermão do Monte, intitulou o seu comentário de “Contracultura cristã”. Ele diz: “Não há um parágrafo no Sermão do Monte em que não se trace este contraste entre o padrão cristão e o não-cristão. E ainda: “O Sermão do Monte é o esboço mais com­pleto, em todo o Novo Testamento, da contracultura cristã”.

Houve muitas contraculturas: o Movimento Hippie, por exemplo, foi uma contracultura. A contracultura cristã é a alternativa de cristã, é o jeito de ser dos cristãos, seu estilo próprio de vida. A contracultura cristã tem o balanço: i) o mundo – e tudo que nele há, é obra de Deus e, como tal, é uma boa obra. E, o mundo jaz no maligno. E ainda: ii) estamos no mundo, não somos do mundo. 

Assim, a contracultura cristã é o desdobramento de uma batalha. Estamos em retomada: as terras do Senhor, fora, provisoriamente invadidas. Mas Ele já está convocando Seus servos, e, aos poucos, retoma o que lhe é de direito.

No mundo que jaz no maligno, o Reino, isto é, o governo de Deus, já se faz presente. E essa é a batalha, essa é a contracultura. A contracultura cristã é viver os valores do Reino de Deus, no mundo presente. E, de igual forma, se entendi bem Efésios 6, a batalha espiritual, se luta sendo. Ali, as “armas” são descrições da cultura cristã: a Palavra, a Oração, a Salvação, a Justiça, etc.

Por outro lado, há muitas implicações culturais em se estar no mundo. Estamos, sem ser. Mas talvez melhor fosse dito: que somos sem deixar de estar, isto é, ser cristão não nos despertence do mundo. O mundo é a nossa casa, ainda que, talvez, não seja o nosso destino. Estamos nele. E esse é o horizonte atual. 

A contracultura cristã, portanto, exige um discernimento. Ela carrega um SIM e um NÃO. Ela enxerga o mundo, e as culturas humanas, como boas obras de Deus; ao mesmo tempo: uma obra que fora, em parte, sabotada.  

1.      Num mundo que jaz no maligno, o Evangelho é necessariamente contra cultural.

A reação tem objeto definido. O Evangelho não é profético ao modo de ser gente, mas ao modo pecaminoso de ser gente. A Redenção não é a negação da Criação, antes sua afirmação.


2.      Num mundo que, como obra de Deus, ainda autenticamente uma boa obra, e onde o Reino de Deus já está presente, o Evangelho não é necessariamente contra cultural.


Diz o Chesterton: “precisamos gostar do mundo, até mesmo para mudá-lo”.

Resumindo, a mensagem Escriturística em relação à cultura não é de via única. Antes, é uma tensão. Por um lado, ela apresenta a cultura humana como um mandato de Deus. Por outro, ela é profética - protesto e denúncia - em relação à cultura. Nas palavras de Bruce Nichols: o Evangelho é Juiz e Redentor das culturas. Ele diz: “O Evangelho nunca é hóspede de qualquer cultura, mas sempre o seu Juiz e Redentor”.

O modelo máximo da ação de Deus no mundo é a Encarnação: isto é, Deus se fazendo como um de nós, entrando no nosso mundo. Por isso, diz o Nichols: “A norma de conduta da cultura hospedeira não é o alvo, mas o ponto de partida”. O Evangelho é tal como o cristão deve ser – e assim podemos resumir o todo da contracultura cristã:

i)                    Ele não se aliena da cultura, e do mundo. Não é indiferente. Antes, adentra-o, participa, interagi, influi.

ii)                  Ele, por outro lado, não simplesmente se adéqua, e se acomoda. Ele tenciona e confronta.

Ele aprova, reprova – é Juiz!
Ele transforma, resgata – é Redentor!

Na História, a grande tentação da igreja cristã tem sido a da acomodação ou da insipidez. O Stott diz: “Nenhum comentário po­deria ser mais prejudicial para o cristão do que as palavras: "Mas você não é diferente das outras pessoas!". Um pensador disse que “cada geração é convertida pelo santo que a contradiz mais”.

Contudo - é preciso que se diga, há propositividade nessa contracultura: a reação não é um fim, mas conseqüência. A mensagem, conquanto seja marcadamente contrastante - "não vos asse­melheis, pois, a eles", traça essencial e positivamente a identidade cristã. No Sermão do Monte Jesus expressa a natureza do Reino de Deus - a cultura autenticamente cristã. Dessa forma, o cristão anda na contramão do mundo à medida que ele anda corretamente na mão do Reino de Deus. Como embaixadores do Reino, precisamos estar atentos aos jornais. Mas, antes de tudo, precisamos buscar, por meio do Espírito Santo, coerência com a nossa identidade - “sal e luz”. Pois, quem sabe aonde quer chegar, sabe que caminho não tomar. 

O mundo não tem mão única. Há muitos caminhos para se errar. E a porta que leva a perdição é mesmo larga. Dessa forma, nesse mundo de 360º, “andar na contra mão” não diz muita coisa. É preciso que se ande na direção certa – aquele único grau, que é a mão do Reino de Deus. Existem 359º modos de não se chegar ao lugar correto. A batalha, como afirmamos acima, se luta sendo.  

Por: Eric Brito

Fonte: AQUI

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